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ATORES BACABALENSES GRAVAM FILME

ATORES BACABALENSES GRAVAM FILME
ATORES BACABALENSES GRAVAM FILME "O caminho proibido" é a nova onda que atores bacabalenses estão vivenciando desde fevereiro. O elenco, formado em sua maioria por integrantes do grupo Faces da Arte, de onde surgiu a idéia, conta também com a participação de atores de outros grupos como Cia Curupira e Facetários. Dirigido por Rogê Francê, o filme traz em seu roteiro a trama de um relacionamento mal resolvido entre Kátia (Laiza Hawitt) e Fernando (Costa Filho), que, no trajeto de uma reconquista, vão se deparar com um "caminho proibido". Ali acontecerão cenas de ação, suspense e mistério e morte entre o casal e dois psicopatas interpretados por José Wilker (Cia Curupira) e Pablo Evangelista (Grupo Facetários). "Algumas cenas já foram gravadas. Mas há ainda muita coisa há ser feita, pois um filme, por simples que seja, requer longas horas de trabalho", diz o roteirista e diretor Rogê Francê. Segundo o elenco, os recursos de produção serão um segredo para o público, que certamente vai se encantar com o resultado. Costa Filho, que já protagonizou "A milagreira", filme ainda não concluído, dirigido por Sônia Maria e Joabe Ricardo, se mostra otimista com mais uma experiência na área cinematográfica. "É gratificante participar de mais um filme. Não é nem um Titanic ou trilogia de Harry Potter, mas nas pequenas ações também pode se deixar grandes lições", conclui o ator. Confira neste blog fotos e vídeos do "'making of" desta produção cinematográfico-bacabalense. NA FOTO alguns do elenco: Costa Filho e José Wilker (agachados), Laiza e Rogê (no meio abraçados)

10/06/2010

COSTA FILHO PUBLICA FOTO INÉDITA DO MENDIGO RENATO

Crônica em foco
                                                                                      
 A ÚLTIMA FOTO DE UM MENDIGO VIVO
Edgar Moreno


A ÚLTIMA FOTO DE UM MENDIGO VIVO
Renato, morador de rua, em seu ponto de morte
Foto: Ramiro Costa e Costa Filho


       Ele estava sempre lá, na calçada de uma casa sem nome, lado oposto à antiga agência do BEM, uma dessas velhas casas que em outros tempos terá sido depósito da produção agrícola local e, mais recentemente, se tornara ponto temporário de comércio. Ali era o seu relento lugar de dormir e de comer; era ali o seu próprio lar, sem parente e sem afeto. Sua família era ele
mesmo, com seus gatos todos unidos por só cordão; seus amigos, uns livros de cabeceira, talvez de 3º grau. Mas não foi ali sua única morada. Tempos houve em que esse doente homem, habitou próximo ao Centro de Saúde, na calçada do Colégio Governador Sarney. Ali costumava pedir um café e um cigarro. Dava-lhe o vício, o Velho Urso do Blues, um artista plástico local, adepto do “rock blues”, agora ex-fumante. Renato Carlos Santos, o “Negão”, o morador de rua, o mendigo, o louco, o leitor, o magistrado, o vilão, a vítima (Mas quem era esse homem?), tomava o seu café, acendia o cigarro e saía pesado rumo ao seu amontoado de sacos. Algumas vezes o vi a transportar sua pesada carga de um ponto a outro da BR 316, repetindo-se por repetir esta mesma cena. Creio que terá morado em outras calçadas daqui e d’além, mas foi a da Barão de Capanema que Renato elegeu para tocar em frente sua sina, para viver seus últimos dias, para ser morto brutalmente por um vândalo adolescente, que enche de envergonha e revolta a nossa sociedade.
     Hora infeliz aquela em que o jovem e seu comparsa compraram num posto da cidade uma medida de gasolina com o intuito de atear fogo no desgraçado homem, já castigado pela vida e sua obscura sina. E, lamentavelmente, lograram êxito. Um condenável êxito. A cena? Alguém há de ter visto e viram-na: os garotos malfazejos se deliciavam com os pulos do pobre homem em chamas, numa inevitável lembrança do índio queimado vivo em Brasília. A imprensa divulgou, buscou repostas das autoridades, a Justiça quis seguir a praxe e o jovem assassino foragiu-se pelas brechas da justiça e da esperteza, deixando para trás um homem carbonizado em 80% do corpo num dos leitos do Laura Vasconcelos e depois no Socorrão II, na Capital. Mas lá não estava todo o mendigo: pedaços do couro de suas mãos e de seu corpo ficaram pelo nosso chão a clamar pela vida do seu dono e pela justiça dos homens.
Meu corpo febril, agora arde e sinto um pouco de frio, mas essa leve sensação térmica é imensamente desproporcional e indescritivelmente menor do que a tormentória dor que sentiu o nosso morador de rua, no último dia 09 de maio. Negão sofreu, sofreu e por fim não resistiu (e ninguém resistiria!) vindo a óbito alguns dias depois. Ficou o sentimento de revolta e a inclusão de Bacabal numa triste estatística; a da queima de gente viva.
     E quando a gente se pega a tecer o fato, a revolta aflora e me falta papel para tantas perguntas em torno do caso Renato. O que leva um jovem a agir com requinte de tanta crueldade para com uma pessoa desvalida e quieta no seu canto? O que de fato houve em relação à prisão (ou não-prisão) do réu confesso? Até quando a sociedade vai ter que engolir o sorriso irônico do jovem homicida? Não importa quem foi o mendigo: importa que era um ser humano, amado por Deus como qualquer outra pessoa.
     Casos assim me tocam profundamente, pois sendo eu um cronista, observador e fã assumido das pequenas cenas da cidade, esta não me passava despercebida. Renato sempre me despertou curiosidade, assim como a “Zuíla” louca (Divina), hoje em São Mateus, o alucinado pela perfeição da barba, ali próximo à FEBAC, a Pedra 90 do Caipirão e outros desvalidos que fazem das ruas da cidade uma casa a céu aberto. Com Renato não era diferente. Eu sempre quis fotografá-lo, mas, confesso, temia a reação de um homem forte e sem siso. Fui mantendo apenas o anseio, até que no dia do aniversário da cidade, saindo com meu filho pelas ruas ermas, tomei coragem e parei o veículo um tanto distante do homem e com a câmera em zoom, pedi que meu filho o fotografasse. Renato não gostou e veio armando-se com um rádio de pilha, acho. Conseguimos tirar apenas esta foto inédita, que agora publico, como parte integrante da crônica.
     A foto está aqui, leitor, a crônica também há de durar muitos anos. Mas o que importa a foto e a crônica se Renato – o motivo delas – não mais existe? Uma coisa é certa: Renato não haverá, certamente, de voltar mais ao seio bacabalense e nem a outro. Será que a morte de Renato há de habitar apenas uns dias na lembrança da justiça, de quem o temia, de quem o vi um dia? Ou se diluirá tão rapidamente como as cinzas do seu próprio corpo e dos seus trapos?

ELENCO TEATRAL

ELENCO TEATRAL
Homenagem ao amigo Malaka no DF

Amigos da ASDEBAL (Ao amigo Malaka no DF)

Amigos da ASDEBAL (Ao amigo Malaka no DF)

Uma cena que ensina em "Viver é adaptar-se" peça de Casanova e Lúcia Correia

Uma cena que ensina em "Viver é  adaptar-se" peça de Casanova e Lúcia Correia