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ATORES BACABALENSES GRAVAM FILME

ATORES BACABALENSES GRAVAM FILME
ATORES BACABALENSES GRAVAM FILME "O caminho proibido" é a nova onda que atores bacabalenses estão vivenciando desde fevereiro. O elenco, formado em sua maioria por integrantes do grupo Faces da Arte, de onde surgiu a idéia, conta também com a participação de atores de outros grupos como Cia Curupira e Facetários. Dirigido por Rogê Francê, o filme traz em seu roteiro a trama de um relacionamento mal resolvido entre Kátia (Laiza Hawitt) e Fernando (Costa Filho), que, no trajeto de uma reconquista, vão se deparar com um "caminho proibido". Ali acontecerão cenas de ação, suspense e mistério e morte entre o casal e dois psicopatas interpretados por José Wilker (Cia Curupira) e Pablo Evangelista (Grupo Facetários). "Algumas cenas já foram gravadas. Mas há ainda muita coisa há ser feita, pois um filme, por simples que seja, requer longas horas de trabalho", diz o roteirista e diretor Rogê Francê. Segundo o elenco, os recursos de produção serão um segredo para o público, que certamente vai se encantar com o resultado. Costa Filho, que já protagonizou "A milagreira", filme ainda não concluído, dirigido por Sônia Maria e Joabe Ricardo, se mostra otimista com mais uma experiência na área cinematográfica. "É gratificante participar de mais um filme. Não é nem um Titanic ou trilogia de Harry Potter, mas nas pequenas ações também pode se deixar grandes lições", conclui o ator. Confira neste blog fotos e vídeos do "'making of" desta produção cinematográfico-bacabalense. NA FOTO alguns do elenco: Costa Filho e José Wilker (agachados), Laiza e Rogê (no meio abraçados)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

"Café literário" da ABL: lembranças e poesia


Costa Filho em recital de poesias no "café literário" da ABL

A Academia Bacabalense Letras promoveu dia 2 de abril seu 1º “café literário”, momento em que imortais puderam reviver os primeiros tempos de fundação daquela Casa Literária, que está fazendo 10 anos. Na programação, a exibição do documentário “ABL: fatos e relatos”, obra em construção do poeta e acadêmico Costa Filho, que também recitou juntamente com a presidenta Liduína Tavares poesias dos próprios membros numa sessão reagada a poesias e conversas informais.  Houve ainda a exposição de livros de autoria de acadêmicoas da ABl e outros autores e um literal café para os convidados.
O grupo Faces da Arte esteve presente e prometeu participar dos próximos “cafés”, que se realizarão trimestralmente.  



Laiza e Rogê do grupo Facesa da Arte
dividem a mesa c/ um convidado


terça-feira, 29 de março de 2011

CRÔNICA EM FOCO


                UM CASO (DE AMOR?)
                                                                         Edgar Moreno
Edgar abriu a caixa de e-mail. Um deles vinha do jornal e versava sobre uma leitora de Capinzal do Norte, admiradora dessas “Crônicas em foco”. Margarida aguardava ansiosa por uma crônica sobre o amor. “Amor?”– disse consigo o cronista. “Como cronicar esse sentimento tão superior e puro? Não é das poéticas mazelas de que se importa a coluna?” Todavia, quis o cronista avaliar o pedido. Cogitou com seu editor não inspirar-se em temática como o amor, tão séria e rara como um bicho lindo em extinção. Resolveu, porém, contatar sua leitora. Qual! O descuido ou o destino tinha deletado o e-mail de Dayane. Ou seria da Michaellen? Ou do próprio Jakson, que ao cronista dera a notícia defronte à gráfica? Edgar quase nunca deleta e-mails. Mas então... Finalmente mensagem enviada. Pelas várias tentativas, o resultado automático: Delivery Status Notification (Failure) – Notificação de Status de Entrega (Falha). Coisas do mundo virtual! Deixou-se, pois, estar... Quem ama espera. O próprio tempo daria razão para uma crônica de amor. E deu.
Dias depois um episódio emociona a cidade. Um extraordinário caso de amor. Valentim Assunção, 40 anos, originário do mesmo Capinzal do Norte, procurou um canal de TV local numa busca pública por sua esposa separanda, que deixara sua pequena cidade para se ocultar supostamente nos antros da Trizidela. O povo logo maldou, o povo informou, se emocionou. O repórter incrementou. E foi ao som de “Não se vá” (Tu t’en vas) da dupla Jane e Herondy (explosão musical nos anos 70), que Valetim derramou-se em sentimentos e lágrimas a toda a população telespectiva, com palavras solícitas de amor por aquela que agora silenciava para a reconciliação. Já queria ao menos a amizade da amada e com ela criar os filhos. Não importava a casa, a moto, o dinheiro... Remedinha era o que importava. Prometeu recompensar quem informasse sobre o paradeiro de sua amada. Pagou carro volante, foi junto pelas ruas, levou flores, talvez, enfim, sensibilizou os românticos e cafajestes, os machões e carametades. Queria, de coração e a qualquer custo sua ex, aquela que o tinha abandonado com os filhos, então chorosos na TV. Agora sua vida quebrara o sentido, sequer trabalhar podia. Era um mero padecente do amor e do abandono de Remedinha. Somente ela, com quem vivera anos, seria o remédio vital e necessário para curar sua dor, para preencher a saudade filhos e a depressão de um deles. Queria-lhe ainda, pois nutria ainda vivos o amor e a amizade pela consorte.
Alcançada pela notícia Remedinha aparece e conta sua versão, depois de o ex-marido abordá-la com a Polícia a caminho de outro estado. Foi barrada, vistoriada, taxada de ladra e levada à oitiva no 1º DP. Nada queria mais com Valetim. E eis a grande verdade: além de “valentim”, ele a tinha traído. E outras verdades ele não tinha dito em suas duas idas à TV. O fato é que de vítima o apaixonado homem passou a acusado. Ela, liberada, rumou livre ao seu destino nos rumos de Tocantins. De resto, ficou o homem, ficaram os filhos e toda uma família esfarelada.
Seria isso romântico aos olhos de Margarida? Talvez não fosse esse amor que ela tanto sonhou ler. Também não o seria com o cronista e os redatores. Mas como já disse Nelson Rodrigues: “Toda nudez será castigada”. E esse é o castigo que o cronista transfere aos seus leitores: narrar “a vida como ela é”.

quarta-feira, 16 de março de 2011

TEATRO BACABALENSE: ANÔNIMO, PORÉM VIVO - UM BREVE RESGATE

O final da década de 1980 foi um período fértil para a dramaturgia local. É o que podemos chamar de "tempos áureos do teatro bacabalense", quando havia uma boa safra de atores locais em atividade, que levavam ao palco do CONASA e de cidades circunvizinhas grandes produções que se confundiam com o profissional. Eram jovens adolescentes, provenientes da Igreja e das escolas, mas que sabiam o que queriam dizer através das artes. Nomes como Liduína Tavares (Francys Lídia), Massoé Carvalho, Eliene Lopes (Helly), Zezinho Casanova, Natinho Brito, João Santos, entre outros, são, por assim dizer, atores precursores da atuação teatral em nosso meio. O fato, porém, vai bem mais além, tanto em textos como em figurino e atuação social. Grandes produções provenientes de fora chegaram a se apresentar no auditório mais conhecido de Bacabal, o CONASA, como foi o caso da peça "O auto da barca do Inferno", adaptação da obra do dramaturgo português Gil Vicente, assistida por esse redator. Cabe, todavia, lembrar que o apoio do poder público municipal, da então prefeita Raimunda Loyola, foi de grande valia para esse aplaudível fato entre nós.
Daí para cá o teatro perdeu muito do seu brilho e espaço. Todavia não morreu. Hoje está um tanto anônimo e menos atuante, mas existe.

Cena sobre o autismo com Clemilson Cruz, Laiza Hawitt,
Rogê Francê e a atriz mirim Hillary

Novos atores e atrizes surgiram nos palcos anônimos desta terra. Falta-nos, todavia, um anfiteatro, ou pelo menos um espaço que dignifique nossos talentos. Esse, na verdade, é um grito que perdura há tempos, mas que não tem sido ouvido pelos governates. Talvez a arte , a cultura e o povo não represente muito frente a outras "prioridades". Todavia, é bom que se diga: a maor riqueza que de um povo pode emanar é sua cultura. É um patrimônio coletivo que deve ser valorizado, incentivado e zelado.

Em 1996 uma grande produção denominada UM CERTO GALILEU e dirigida por Dalva Santos, a Dalva do Teatro, atriz que, a duras penas, tem se dedicada ao crescimento do teatro em nossa cidade. O espetáculo foi apoiado em produção e figurino pelo poder público municipal nas pessoas da Secretária de Cultura Graça Chaves e Emanoel de Jesus. O elenco da peça reunia cerca de 45 pessoas, entre atores, produtores, figurantes e contrarregras.
Justo é lembrar e reconhecer o belíssimo trabalho de produção de cenário e figurino liderado pelo artista plásitico Ejoão Martins (Johnny Rock Blus), auxiliado pelo artesão Urquiza, o folcloista e percussionista Gleydson, que compunham a Secretaria de Cultura, e a costureira (não me recordo o nome) e outras tantas pessoas que sae engajaram direta ou indiretamente.
Na visão deste redator terá sido a peça teatral mais cara e melhor produzida nos últimos dez anos, graças, a verbas destinadas pelo Ministério da Cultura para esse fim.
 
Dalva Santos com atores locais
em oficina de máscaras na ACZ, fev/2011
Hoje Bacabal conta com alguns grupos ligados às igrejas, a exemplo da Igreja Batista da Paz, que cultiva um teatro tipicamente litúrgico-religioso com veia social destinada aos jovens, e de modo amador e mais independente a Cia Curupira de Artes Cênicas, liderada por Zezinho Casanova e o GITAR, liderado por Dalva Santos, Este último, atualmente não está em atividade, mas sua diretora, que está cursando faculdade de Teatro, está ministrando oficina teatral pela Associação de Capoeira Zâmbi, que se tornou recentemente um PONTO DE CULTURA do Ministério da Cultura.
  
Peça bacabalense no teatro Alcione Nazaré, S. Luís, maio/2010

Está em cartaz desde 2009, e disponível a contratos de apresentações às escolas, universidades e entidades sociais em geral, a peça VIVER É ADAPTAR-SE, uma comédia educativa sobre o trato com as pessoas com deficiência, texto de Zezinho Casanova e sua esposa Lúcia Correia. Outro texto do mesmo autor já está sendo ensaiado, mas ainda não há data para estreia.
Para saber mais sobre o teatro bacabalense clique aqui AQUI > http://arteatrodalva.blogspot.com

domingo, 20 de fevereiro de 2011

FACES DA ARTE COMPLETA 9 MESES COM 51 ATAS DE REUNIÕES


O grupo Facesa da Arte em ensaio de perfórmance

O Grupo Artístico Faces da Arte completa nove meses, na quarta-feira, 23 de fevereiro. Fundado em maio de 2010, o grupo se orgulha de ser um dos mais atuantes e organizados da cidade, com um total hoje de 51 reuniões registradas em ata.  "Temos nosso uniforme, para o qual adotamos as cores básicas do teatro: preto e branco. Temos nossa organização interna, nossas regras para melhor funcionamento dos ensaios. Segunda-feira, 21, o grupo se reunirá em clima dedespedida do ator Rogê Francê que está de partida do grupo por tempo indeterminado para outra cidade. "Ficamos de certo modo tristes, pois o Rogê é o que mais incentiva o grupo", diz Layza, lamentosa. "Expresso aqui nossa gratidão e amizade ao nosso colega Rogê pelos esforços e alegrias e mesmo pelas chatices que proporcionou ao grupo. Desejamos que a arte o persiga onde ele for", declara Costa Filho.


Layza Hawitt e Costa Filho se despedem de Rogê no local de ensaio.
 A foto abaixo vai em tua homenagem, cara!




sábado, 5 de fevereiro de 2011

CRÔNICA EM FOCO



                          REFÉM DOMICILIAR

                                                                                                                                          Edgar Moreno

Você sai à rua, depois de pensar mil e uma vezes se deveria fazê-lo. Deve sim. Mesmo correndo riscos. A Lei da Sobrevivência é maior. Já beijou os filhos, trancou bem as portas, e sai. Antes, porém, reza o Pai Nosso, concentrando-se na frase: “livrai-nos do mal. Amém”. “Livrai-nos?” Sim, sua família ficou em casa e corre riscos semelhantes. Então você põe um pé fora de casa. Olha para um lado e outro. Reserva-se enquanto aquele moleque de calção taquitel passa olhando de soslaio. Se é ladrão, não se sabe, mas tudo indica ser um “usuário”. É como eles dizem para se safar do flagrante de tráfico. Na dúvida é um forte suspeito. Todo mundo é suspeito. Até aquele lá de bigode e bem trajado pode ir levando consigo alguma pedra de “crack”. Então é prendê-los. Eu? Pode ser. Segundo o artigo 301 do CCP qualquer pessoa pode prender um suspeito! Nunca! Deixa isso para a Polícia, que averigua ou prende o sujeito. Prender onde? A carceragem até interditada foi pela Justiça! Além disso, eles sabem direitinho que ninguém pode ser preso sem provas. Ora bolas! Se até com provas tem bandido solto, imagine... Voltemos ao nosso rumo, senão...
        Lá à frente você precisa atender ao celular. Mas dirigindo não pode. Parar na rua é perigoso. Então, o que você faz? Deixa o aparelho tocar, chamando a atenção daquele cara suspeito, ou, correndo risco, para e atende, ou deixa a ligação cair para atendê-la num lugar seguro? A última opção parece a mais adequada, melhor ainda se seu telefone móvel estivesse apenas no modo vibratório. Ninguém precisa saber que você carrega um celular, muito menos ouvir aquele toque da “meninazinha” rindo e cantando: “Ah! ah! ah! Etchamaracá! Ed Marley!...” Finalmente ao atender você percebe que o número é de fora: “Bom dia! Eu falo com o senhor Astrogildo de Tal e Tal? Sou do setor X da Empresa Y, credencial nº tanto. Você poderia me confirmar seu endereço, celular e...” Você desconfia e desliga, pois sabe que pode ser um golpe.
No trabalho toma conhecimento que um comércio foi arrombado, uma moto roubada, um velhinho enganado, três casos de lesão corporal e um homicídio. Meio dia, você não sabe se come ou se assiste a tudo isso no Ronda da Cidade, no Roda Viva e no Fala Cidade. E tudo com reprise. E mais: cinco presos fugiram da cadeia e que dos onze liberados à prisão domiciliar, um já andou aprontando; que o seu Pedro Messias da Trizidela continua revoltado com essa situação. E chove de entrevistas nos canais locais de TV: com o Secretário de Segurança Pública, o juiz Carlos Roberto Paula, o Delegado Jáder Alves e o outro Delegado (ou ex Delegado?) Regional Henrique Permulter. E os Promotores? Estão de férias ou doentes. E tem mais o depoimento de uma mãe negligenciada de atendimento pelo SAMU, o caso Mayana Cleide, morta de uma queda de rede e o caso Jaciara, ainda não solucionado...
        Então você põe as mãos na cabeça e toma uma decisão: se dá férias forçadas do serviço e, via telefone, pede um cadeado Pado E-50 e se tranca num cofre com toda sua família. Definitivamente a rua já tem outros donos. Acabou-se seu direito de ir e vir.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

VOTEI. E AGORA? OS PANFLETOS DE CAMPANHA AINDA SERVEM? VEJA O QUE FEZ HERCULANO


Crônica em foco 

   CIDADANIA À PROVA

Edgar Moreno

Herculano vestiu sua melhor roupa. Penteou bem os poucos cabelos, grisalhos e limpos, apalpou a barba bem feita, arrumou a botina e saiu pela Rua da Assembléia de Deus, chamada ainda Maranhão Sobrinho, que um dia foi da Bacabeira. O andar calmo e senil sob os óculos grossos o denunciava um homem de leitura, um nobre-cidadão, desses que se parecem com nosso velho poeta Raimundo Sérgio de Oliveira. Caminhou até a Rua da Forquilha, onde dobrou nos rumos do centro, jogou no lixo uma das páginas do jornal de cujo assunto trazia aborrecimentos: a política, justo naqueles dias em que o seu candidato não conseguira se eleger. Não era nenhuma paixão, nem paga de favor, mas apenas vontade de mudança. Mas era preciso tocar a vida adiante. E deixou-se levar por uma ideia súbita. Pegou de volta a página do chão por dois motivos de pura cidadania: lugar de lixo é no lixo e o se “desdeixar” abater por uma derrota.  Viu no jornal a relação dos eleitos, avaliou os nomes, as promessas de campanha, os representantes locais dos próximos quatro anos... Foi tudo o que precisou para seu fortalecimento cidadânico. Foi ter à casa do mais próximo dos eleitos. Esperou um bom tempo à campainha, e, a propósito de sua ideia e capricho ficou ali, perseverante até aparecer uma magra criatura: “Bom dia! O senhor Deputado está?”—perguntou ele, vendo ainda o político sumindo. E a mulher, surpreendida por esse ato flagrante e cortês, não pôde deixar de dizer a verdade: “Está.” Não era isso que ia falar, mas sim que o Deputado estava para a capital tratando de negócios. Ia ela já adentrando o casarão, mas voltou-se para pedi-lo que sentasse. Sentou-se. Esperou, como de praxe, até que lhe veio o deputado: “O senhor por aqui, seu Herculano!?” “Sim, eu vim parabenizar o nosso deputado.” “Oh! Obrigado! E obrigado também pelo seu voto.”—disse o político cheio de si. “Mas eu não votei no senhor!” O semblante do magnata alterou-se. Ia perguntar ao velho o que então o trazia ali. Achou-o ousado. Ia expulsá-lo dali, mas envergonhou-se de si e de sua pretendida ação. Preferiu fingir: “Então, diga, meu caro!” “Eu só vim aqui pegar um panfleto de campanha.” “Ora, seu Herculano, não me diga que está falando sério!”—riu-se irônico o deputado reparando nos modos do idoso. Estaria louco? E o idoso lúcido: “Pois creia: é somente isso que quero... por agora.” E o político não podendo se conter: “Pois me diga: Por que panfleto agora se a eleição já passou?” — arrependeu-se do que disse, mas não podia mais anular. E procurando consertar: “Ah! já sei, o senhor vai guardar de lembrança, não é?” E seguiu cabreiro de si e do outro: “Vamos ver se ainda temos algum perdido por aqui, pois na véspera do dia 4 de outubro, foi feito um derrame deles pelas ruas”— aí o deputado falava verdade, mas Herculano preferiu o silêncio e a ação dele. Logo mais volta um serviçal com alguns santinhos do deputado enquanto este espreitava o idoso e lhe entregava o pedido. “O que eu quero não é desses, mas daqueles que contêm suas propostas.” “Que propostas? Ah! sim, claro”—disse o deputado lembrando que não tinha formalizado, ele mesmo, suas propostas, apenas sua equipe tinha redigido, impresso e entregue aos panfleteiros. E com um olhar dissimulado de desculpa: “Perdão, seu Heculano, como já lhe disse, foi feito um derrame deles na véspera das eleições, mas eu vou ver o que faço...” Procurou no escritório, buscou junto à família, vasculhou a casa inteira, estressou-se com o serviçal, ligou para o assessor de campanha. E, compondo-se do vexame, voltou a falar com o visitante: “Seu Herculano, quero mais uma vez lhe pedir desculpas, mas não foi possível encontrar nenhum panfleto com minhas propostas. Sabe como é esse povo que trabalha em campanha, né... desorganizado... Mas já liguei para meu assessor. Dá para o senhor passar aqui amanhã?” “Dá não senhor, prefiro aguardar o assessor. Amanhã tenho este mesmo compromisso com outros candidatos eleitos.” E o deputado a controlar-se: “Pois aguarde, que vou apressar a vinda do assessor com o panfleto.” Saiu em particular, e, já pensando nas próximas eleições, ligou de verdade para o assessor e foi fazer algumas ligações a outros candidatos eleitos, afinal é melhor prevenir a visita de um intruso a tolerar dele um momento de “cidadania à prova”, coisa que não se deve desejar nem mesmo ao pior dos inimigos. 

quinta-feira, 10 de junho de 2010

COSTA FILHO PUBLICA FOTO INÉDITA DO MENDIGO RENATO

Crônica em foco
                                                                                      
 A ÚLTIMA FOTO DE UM MENDIGO VIVO
Edgar Moreno


A ÚLTIMA FOTO DE UM MENDIGO VIVO
Renato, morador de rua, em seu ponto de morte
Foto: Ramiro Costa e Costa Filho


       Ele estava sempre lá, na calçada de uma casa sem nome, lado oposto à antiga agência do BEM, uma dessas velhas casas que em outros tempos terá sido depósito da produção agrícola local e, mais recentemente, se tornara ponto temporário de comércio. Ali era o seu relento lugar de dormir e de comer; era ali o seu próprio lar, sem parente e sem afeto. Sua família era ele
mesmo, com seus gatos todos unidos por só cordão; seus amigos, uns livros de cabeceira, talvez de 3º grau. Mas não foi ali sua única morada. Tempos houve em que esse doente homem, habitou próximo ao Centro de Saúde, na calçada do Colégio Governador Sarney. Ali costumava pedir um café e um cigarro. Dava-lhe o vício, o Velho Urso do Blues, um artista plástico local, adepto do “rock blues”, agora ex-fumante. Renato Carlos Santos, o “Negão”, o morador de rua, o mendigo, o louco, o leitor, o magistrado, o vilão, a vítima (Mas quem era esse homem?), tomava o seu café, acendia o cigarro e saía pesado rumo ao seu amontoado de sacos. Algumas vezes o vi a transportar sua pesada carga de um ponto a outro da BR 316, repetindo-se por repetir esta mesma cena. Creio que terá morado em outras calçadas daqui e d’além, mas foi a da Barão de Capanema que Renato elegeu para tocar em frente sua sina, para viver seus últimos dias, para ser morto brutalmente por um vândalo adolescente, que enche de envergonha e revolta a nossa sociedade.
     Hora infeliz aquela em que o jovem e seu comparsa compraram num posto da cidade uma medida de gasolina com o intuito de atear fogo no desgraçado homem, já castigado pela vida e sua obscura sina. E, lamentavelmente, lograram êxito. Um condenável êxito. A cena? Alguém há de ter visto e viram-na: os garotos malfazejos se deliciavam com os pulos do pobre homem em chamas, numa inevitável lembrança do índio queimado vivo em Brasília. A imprensa divulgou, buscou repostas das autoridades, a Justiça quis seguir a praxe e o jovem assassino foragiu-se pelas brechas da justiça e da esperteza, deixando para trás um homem carbonizado em 80% do corpo num dos leitos do Laura Vasconcelos e depois no Socorrão II, na Capital. Mas lá não estava todo o mendigo: pedaços do couro de suas mãos e de seu corpo ficaram pelo nosso chão a clamar pela vida do seu dono e pela justiça dos homens.
Meu corpo febril, agora arde e sinto um pouco de frio, mas essa leve sensação térmica é imensamente desproporcional e indescritivelmente menor do que a tormentória dor que sentiu o nosso morador de rua, no último dia 09 de maio. Negão sofreu, sofreu e por fim não resistiu (e ninguém resistiria!) vindo a óbito alguns dias depois. Ficou o sentimento de revolta e a inclusão de Bacabal numa triste estatística; a da queima de gente viva.
     E quando a gente se pega a tecer o fato, a revolta aflora e me falta papel para tantas perguntas em torno do caso Renato. O que leva um jovem a agir com requinte de tanta crueldade para com uma pessoa desvalida e quieta no seu canto? O que de fato houve em relação à prisão (ou não-prisão) do réu confesso? Até quando a sociedade vai ter que engolir o sorriso irônico do jovem homicida? Não importa quem foi o mendigo: importa que era um ser humano, amado por Deus como qualquer outra pessoa.
     Casos assim me tocam profundamente, pois sendo eu um cronista, observador e fã assumido das pequenas cenas da cidade, esta não me passava despercebida. Renato sempre me despertou curiosidade, assim como a “Zuíla” louca (Divina), hoje em São Mateus, o alucinado pela perfeição da barba, ali próximo à FEBAC, a Pedra 90 do Caipirão e outros desvalidos que fazem das ruas da cidade uma casa a céu aberto. Com Renato não era diferente. Eu sempre quis fotografá-lo, mas, confesso, temia a reação de um homem forte e sem siso. Fui mantendo apenas o anseio, até que no dia do aniversário da cidade, saindo com meu filho pelas ruas ermas, tomei coragem e parei o veículo um tanto distante do homem e com a câmera em zoom, pedi que meu filho o fotografasse. Renato não gostou e veio armando-se com um rádio de pilha, acho. Conseguimos tirar apenas esta foto inédita, que agora publico, como parte integrante da crônica.
     A foto está aqui, leitor, a crônica também há de durar muitos anos. Mas o que importa a foto e a crônica se Renato – o motivo delas – não mais existe? Uma coisa é certa: Renato não haverá, certamente, de voltar mais ao seio bacabalense e nem a outro. Será que a morte de Renato há de habitar apenas uns dias na lembrança da justiça, de quem o temia, de quem o vi um dia? Ou se diluirá tão rapidamente como as cinzas do seu próprio corpo e dos seus trapos?

segunda-feira, 17 de maio de 2010

AMIZADE

Amizade é um laço dourado e precioso como o próprio ouro. E quando é saudável, verdadeira e confiável, não há adjetivos que a defina. Ontem ouvi de um jovem sobre a saudade de um amigo (ex-cunhado) distante, com quem podia contar e partilhar nos bons e maus momentos. Hoje aquela cena me leva a escrever estas linhas e deixá-las com meu abraço a meus poucos amigos. E um deles é você, Malaka.

CRÔNICA EM FOCO

A BLITZ
Edgar Moreno

Frrii! ― o apito ecoa alto e rápido em um dos pontos de blitz da cidade. O PM sinaliza ao estacionamento. O motociclista obedece. E o policial com a atenção dividida entre um veículo e outro:
―A habilitação e o documento, por favor.
―Arre, égua! Não trouxe ― responde o motociclista arregaçando os bolsos.
―A moto vai ter que ficar retida.
―Não! Isso não! Que é isso, camarada, quebra o galho aí.
―Quem quebra galho é macaco. Isso é ordem superior do comandante Ortoberto: a partir de hoje garupa somente com capacete; dirigir, só com habilitação, além de outras medidas de segurança e prevenção que todo mundo vinha fazendo vista grossa aqui na cidade.
―E isso vai funcionar, em pleno ano de eleição?
―Aí é que o senhor se engana... Em ano de eleição os cofres têm que estar cheios para a campanha. Mas deixe de papo furado, me dê a documentação sua e da moto.
―Porra, merda! Já disse que esqueci! Só me faltava essa!
―O senhor bebeu?—pergunta o PM, encarando o semblante do condutor.
―Não... Quer dizer... Mas eu posso ir buscar a habilitação e o IPVA em casa. É bem pertinho e prometo que volto. Só tenho aqui o RG. Veja.
―Eu lhe perguntei se o senhor andou bebendo!
―Não senhor, eu não consigo andar e beber ao mesmo tempo. O senhor consegue?
―Está de gracinha comigo? ―avermelha-se o PM.
―Se Vossa Senhoria estiver falando de minha patroa pode baixar o facho. A Gracinha nunca esteve com ninguém. Ela sempre me foi fiel e deve estar em casa assistindo sua novela favorita.
―Agora, além da apreensão da moto, que nem sei se é sua, vamos ter que fazer o teste do bafômetro.
―Topo na hora! Eu sempre quis conhecer essa geringonça. Mas o senhor também bebeu?
―Como assim, seu motora truculento! É claro que não bebi. Mas por que está perguntando isso?
―É por que Vossa senhoria...
―Isso é uma ironia?
―Não, é respeito.
―Pois continue ― sugere o policial, posudo.
―É porque Vossa Senhoria disse: “VAMOS ter que fazer o teste do bafômetro”.
―Que bafômetro? Ah, isso é um modo de falar. Sabe como é a língua portuguesa, né...
―Já vi que quem está bêbado aqui não sou eu...
―Se o senhor insistir em me irritar, eu mando prendê-lo por desacato à autoridade.
―E eu posso processá-lo por abuso de poder.
―Você não sabe o que diz; é um bêbado. Vamos, estacione ali. O reboque vai levar a moto e o senhor pode até ir preso por dirigir em estado de embriaguez.
―Sou um cidadão de bem.
―Um cidadão de bem não põe a vida dos outros em perigo.
―E um cidadão de bem também não pode tomar sua cervejinha? Vocês deviam está era prendendo os bandidos. A cidade está um caos em criminalidade. É só o que se vê nos canais da TV local.
―Vá dizer isso às autoridades.
―E Vossa Senhoria não é uma autoridade?
―Sim, eu sou, mas... Olhe, o senhor está me atrapalhando e o trânsito também. Veja o fluxo de veículos, tudo para ser verificado.
―Culpa do governo que não oferece o contingente de policiais necessários à população.
―Vá dizer isso no Palácio dos Leões ou ali na Câmara Municipal.
―E adianta?
―O senhor devia ser um político.
―Deus me livre. Prefiro ser um politizado.
―Pois dê cá sua chave e espere o reboque ali, ou então vá para casa.
―Daqui eu não saio.
―Vou chamar meu chefe.
―E por que o senhor não me libera?
―Nunca. O senhor está dirigindo sem habilitação, sem o documento do veículo, embriagado e por cima é atrevido.
―Posso lhe deixar uma merenda.
―Não repita tal expressão! Isso é suborno e suborno é crime. Posso lhe filmar com o meu celular.
―E a amizade de nossos filhos, não conta? Todo mundo faz isso.
―Sacanagem! Isso só pode ser uma pegadinha. Não sei onde estou que não chamo a guarnição.
―É pegar ou largar.
―É pegar sim, várias multas e muitos pontos na carteira. Assine aqui. Mas antes me deixe ver direito o estado dessa moto. Os pneus estão carecas, um retrovisor quebrado... O sinal funciona? E este capacete? Está muito velho, a jugular não prende mais. Cadê o adesivo do tipo sanguíneo? E este outro capacete pendurado no braço?
―E onde poderia pô-lo? No pneu? No guidão? Na minha perna?
― Na bunda.
―Você está sendo deselegante.
―Não senhor! Estou falando sério. O capacete do garupa deve ir atrás da bunda do condutor protegido por aquela redinha. Deve custar uns 5 contos.
―Tudo isso?
―Melhor do que uma multa ou um paletó de madeira.
―Mas, convenhamos: não é nada bonito, andar com aquilo atrás da gente.
―Uma via de trânsito não é uma passarela, seu Astrogildo, não é assim o seu nome?
―Sim, é assim o meu nome. Algum problema?
―Não, nenhum. Só achei um pouco engraçado. Mas continuando, no trânsito pense primeiro na segurança, dirigindo por si e pelos outros.
―Não foi o que o senhor pensou quando ia me trancando outro dia na esquina da Carlos Pereira com a Rua da Bacabeira, Maranhão Sobrinho, Assembléia de Deus, sei lá...
―Isso não vem ao caso.
―É como dizia minha mãe, casa de ferreiro, espeto de pau. Pois me diga uma coisa: Meu vizinho me disse que vai comprar mais dois capacetes para poder levar os filhos à escola. Três pessoas de capacete pode?
―Nem com capacete, nem sem capacete. Isso fere a Lei 9.503/97. Segundo o Código de Trânsito Brasileiro, uma moto foi feita para levar apenas o condutor e o garupa, ambos de capacete.
―E saco de arroz, pode?
―Também não, nem arroz, nem feijão, nem carga. Para isso tem o serviço de reboques devidamente emplacados.
―Onde, aqui?
―Talvez.
―E como meu compadre vai transportar a mercadoria dele, coitado!
―Isso é um problema dele.
―Pois me diga, e aqueles velhinhos quase caindo para trás com as mãos grudadas na churrasqueira dos mototáxis? E aquelas mulheraças que se arrocham nos machos? Isso pode?
―Segundo o CTB, o ideal é que o garupa segure a cintura do condutor. Agora saber por que eles não seguram na cintura, só os velhinhos ou os motoqueiros podem responder. Quanto às gostosas, quero dizer, mulheres, só não vale é irem além daquela pegada.
―Só mais uma perguntinha...
―Seu Astrogildo...
―Eu ia perguntar por que esses semáforos daqui estão sempre com defeito.
―Vá perguntar ao Prefeito.
―Onde encontrá-lo?
―Seu Astrogildo, o senhor precisa ir para casa aliviar-se dessa ressaca. Já sei o que o senhor está querendo. Escute: a moto vai ficar apreendida. Passe amanhã na CIRETRAN para resolver seu caso, ou espere a multa chegar em sua casa. Seu endereço está atualizado?
―Seu PM, não quero ser insistente, mas veja lá, um menor vai dirigindo aquele Siena prata. E aquele empresário sem cinto de segurança? Tem uma criança no banco da frente. Olhe, o doutor Armando falando ao celular! Isso é ilegal. Veja! Faça alguma coisa, seu PM!
―Isso não é da minha alçada. Agora meu problema é com o senhor. Já assinou as multas? Mas antes voltemos ao estado da moto e à especificação de suas multas: começando com a infração leve de dirigir sem atenção: multa de R$53,20 e 3 pontos na carteira, conforme o artigo 169 do CTB. Você lembra que agora há pouco o senhor jogou uma sacola na via pública? Isso é uma infração média com multa de R$85,13 e 4 pontos na carteira. É só ler o artigo 172. De infração grave temos o fato de dirigir carro em mau estado de conservação.
―Mas isto não é um carro, é uma moto.
―Dá no mesmo.
―No mesmo uma ova! Carro é carro; moto é moto. Vou recorrer ao DETRAN.
―Recorra. É um direito que lhe assiste. Mas voltando ao seu veículo, veja: está uma calamidade, parecendo o carro velho do rabugento! Nesse caso temos uma falta grave, com multa de R$127,69 e 5 pontos na carteira. Quanto às infrações gravíssimas, com 7 pontos na carteira, temos o fato de o senhor está dirigindo embriagado. A multa, segundo o artigo 165 do CTB, é de R$957.60, podendo ser multiplicado por 5 vezes, suspensão do direito de dirigir detenção de 6 meses a 3 anos e 7 pontos na carteira, agravado pelo fato de pôr em risco pedestres e outros veículos, com infração também gravíssima e multa de R$191,54, suspensão do direito de dirigir, retenção do veículo e recolhimento do documento de habilitação. Ainda tem o desacato à autoridade... Isso tudo vai girar em torno de...
Vrrruuuummmmm...
―? — Seu Astrogildo! Seu Astrogildo! “Frrrriiiiiiii!” Segura o homem, guarnição! Segura o homem! Ué, mas a moto dele está aqui! Segura o homem, guarnição... Aquele lá, de camisa preta, que vai com o mototáxi...

terça-feira, 11 de maio de 2010

CHEGADA DO BLOG

Olá, internautas,


Chega à sua tela este singelo

BLOG DO COSTRA FILHO.

A intenção é alimentá-lo com
matérias ligadas à arte de maneiras em geral,
sobretudo literatura e poesia. A coluna CRÔNICA EM FOCO
publicada no periódico O MEARIM também vai ser publicada aqui.
Como ator amador da cidade de Bacabal,
as "páginasnets" vão girar em torno também do
TEATRO.
Espero que gostem e participem do meu blog.
Um blog abraço.

Costa Filho

CANTO DO HUMOR

QUEIMADOR DE CASA (Esta foi real)
                                   Adaptação de Costa Filho

A professora pergunta aos alunos em uma prova:
-O que você quer ser quando crescer?
Os alunos respondem;
-Eu quero ser médico.
-Eu policial.
-E eu comerciante.
Joãozinho bacabalense responde:
-Eu quero ser QUEIMADOR DE CASA.
Ao corrigir a prova, a profesora lê a "brincadeira" de mal gosto
 e põe ERRADO.
Em casa, Joãozinho bacabalense reclama para o pai,
que vai onde a professora. E Ela para o pai:
-Considerei ERRADO, sim! E o senhor tenha cuidado
 com as atitudes de seu filho.
-Não, professora, é que ele quer ser igual ao pai?
-Mas o senhor é tão mal assim? Queimador de casa!?
-Não senhora, há 10 anos eu queimo casas de aranha em residências.

ELENCO TEATRAL

ELENCO TEATRAL
Homenagem ao amigo Malaka no DF

Amigos da ASDEBAL (Ao amigo Malaka no DF)

Amigos da ASDEBAL (Ao amigo Malaka no DF)

Uma cena que ensina em "Viver é adaptar-se" peça de Casanova e Lúcia Correia

Uma cena que ensina em "Viver é  adaptar-se" peça de Casanova e Lúcia Correia