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ATORES BACABALENSES GRAVAM FILME

ATORES BACABALENSES GRAVAM FILME
ATORES BACABALENSES GRAVAM FILME "O caminho proibido" é a nova onda que atores bacabalenses estão vivenciando desde fevereiro. O elenco, formado em sua maioria por integrantes do grupo Faces da Arte, de onde surgiu a idéia, conta também com a participação de atores de outros grupos como Cia Curupira e Facetários. Dirigido por Rogê Francê, o filme traz em seu roteiro a trama de um relacionamento mal resolvido entre Kátia (Laiza Hawitt) e Fernando (Costa Filho), que, no trajeto de uma reconquista, vão se deparar com um "caminho proibido". Ali acontecerão cenas de ação, suspense e mistério e morte entre o casal e dois psicopatas interpretados por José Wilker (Cia Curupira) e Pablo Evangelista (Grupo Facetários). "Algumas cenas já foram gravadas. Mas há ainda muita coisa há ser feita, pois um filme, por simples que seja, requer longas horas de trabalho", diz o roteirista e diretor Rogê Francê. Segundo o elenco, os recursos de produção serão um segredo para o público, que certamente vai se encantar com o resultado. Costa Filho, que já protagonizou "A milagreira", filme ainda não concluído, dirigido por Sônia Maria e Joabe Ricardo, se mostra otimista com mais uma experiência na área cinematográfica. "É gratificante participar de mais um filme. Não é nem um Titanic ou trilogia de Harry Potter, mas nas pequenas ações também pode se deixar grandes lições", conclui o ator. Confira neste blog fotos e vídeos do "'making of" desta produção cinematográfico-bacabalense. NA FOTO alguns do elenco: Costa Filho e José Wilker (agachados), Laiza e Rogê (no meio abraçados)

quinta-feira, 7 de abril de 2016

 A COLETÂNEA "CRÔNICAS DE EDGAR" DO POETA BACABALENSE COSTA FILHO SERÁ LANÇADA EM FORMATO VIRTUAL
O escritor e poeta Costa Filho, ortônimo do cronista Edgar Moreno, lança na noite desta sexta-feira, 8, no prédio do Campus da UEMA de Bacabal, as "Crônicas de Edgar" em versão pdf.
A obra é uma seleção de 60 crônicas publicadas desde 2009 no jornal local "O Mearim" e retrata o chão e o povo bacabalense, sob a pena poético-crítica do autor, que a organizou em cinco temáticas: "A cidade", "Nossa gente", "Da crônica e do tempo", "Das inquietações e filosofias" e "Da miscelânea da vida". O trabalho literário é uma contribuição histórica, reflexiva e literária para os estudantes e amantes de uma boa leitura do passado e do presente da "Princesa do Mearim".

O evento faz parte das comemorações dos 15 anos da Academia Bacabalense de Letras, em cuja programação constará também o lançamento das obras "Cadernos de Passagem" do escritor Samuel Barreto da Academia de Letras de Pedreiras e "Agosto Poético", antologia com participação de Zezinho Casanova e Ana Neres Pessoa, da Academia Esperantinopense de Letras, havendo ainda recital, diplomação da acadêmica Dalva Santos e homenagem póstuma ao imortal abeelino Morais Pessoa, falecido na tarde deste dia 7.  CLIQUE AQUI para baixar a obra em formato PDF.

sábado, 4 de maio de 2013

Carta-crônica à Adelaide ................. Edgar Moreno*


* Pseudônimo de Costa Filho, membro da Academia Bacabalense de Letras

Costa Filho, membro da ABL, cadeira nº 2
Minha doce e bela Adelaide,
Não sei que possa eu te dizer para me justificar do longo tempo em que não te escrevo. Recorrendo às velhas cartas pude verificar que a minha última missiva para ti data ainda de março, quando então, naquelas oito laudas, te parabenizava pelo dia internacional da mulher, te falava da minha estreia como colunista no Jornal O Mearim, dentre outros pormenores que somente a nós interessa. Coisas do coração, da alma, do desejo...
Mas há ainda outro fato em que pequei contra ti, minha flor, e isto me data também de março, e certamente te seria mais ainda imperdoável se tanto não me compreendesses como me compreendes, se tanto não me amasses como me amas.
Tu bem o sabes do que falo, minha flor, e comigo hás de concordar ser uma vergonha levar isso a público ─ isto vai também como uma crônica pra o meu leitor. Um homem que a uma mulher tanto ame não poderia assim fazê-lo. Mas esse fato o leitor não saberá, senão que, mesmo eu distante e um tanto negligente em nosso poético amor, por ti nutro uma afeição realizável e incompreensivelmente grande como o próprio infinito. Por maior poeta que fosse não teria eu a maior facilidade em pôr neste escrito o que por ti sente a minha rude alma. Rude para a dimensão e compreensibilidade do amor em seu mais profundo significado.
E agora que me vejo diante dessas teclas, mal posso esperar que logo venhas receber por estas minhas linhas o meu carinhoso e fortíssimo abraço, o meu delicado beijo e minhas prestimosas desculpas.
 Sei que minhas justificativas já não te convencem, mas elas não são meras desculpas, são sinceras verdades.
De fato ando por agora bem atarefado. Digo-te a ti somente, e não ao leitor que já me vão mais de vinte dias que auxilio com um velho amigo na direção de uma escola, compreendendo assim não apenas um ou os dois turnos de antes, mas os três do dia. Tanto que até a crônica de agosto já me tinha relaxado de fazê-la. Chego até a me desconhecer, minha Adé, pois como sabes as Letras nunca me cansam. E por que agora haveria eu de delas esmorecer? Quem sabe tu me respondas que “quem toca o sino não pode acompanhar a procissão”, ainda que eu teime em consegui-lo.
Vê tu, minha Adé, que agora há pouco pela tarde, o Marcos Boa Fé, tendo de fechar o jornal, teve de me ligar para lembrar-me de meu compromisso mensal. Ah! Como eu me avexei, querida. De pronto pensei em desenvolver algo sobre a importância das respostas, mas, sobretudo, das perguntas na vida do ser humano. Como nos ensina o comercial de TV: o que faz girar o mundo são exatamente as perguntas, já que elas instigam respostas. Dentro dessa ideologia eu já até passei recentemente por uma situação semelhante e que dela já tinha pensado em fazer uma crônica. E vou mais à frente. Pensei também em questionar o tema “De quem é a culpa?”, que inclusive já rascunhara algo para o jornal. Contudo, eu precisaria de argumentos sólidos para não ter que ficar jogando a culpa em alguém. Melhor será que eu assuma a minha culpa ou minha falha, não achas minha flor?
Deixemos também esse tema para adiante e façamos de tua carta minha crônica do mês.
E tu me entendes por isso, só não sei se o leitor fará o mesmo. Creio que sim, pois nada como fazer das notícias do dia o motivo maior do nosso questionamento, realização e descobertas.  Pois que descubram de já o nosso amor. Quem não o teve em tamanha proporção senão o glorioso Camões, o lírico Gonçalves Dias e sua Amélia, o jovem Álvares de Azevedo e suas virgens inatingíveis ou pastor Dirceu com sua Marília bela?
Quem, pois, há de culpá-los pelo palpitar do amor? Pelos sonhos sonhados?  Pela criação poética?  O redator? O poeta Morais Pessoa? Tu, meu leitor, certamente não será, se como minha doce Adé, alguém já amaste.
Um beijo caloroso do teu
Edgar

Crônica ---------------------------- LALAUZINHO DA PORRA! ................................................. (Costa Filho*)


                                                      *Membro da Academia bacabalense de Letras

Era noite na Vila Kühn. Seu Joca achou de lavar o carro à porta de casa. Lavou. Guardou. Mas com os apetrechos de lavagem na calçada, aproveitou para retirar uns matinhos do meio-fio e limpar o asfalto. Um carinha franzino, sujo, feinho e supostamente drogado, morador de perto, chega por ali com um copo na mão. Chegou encarnando popularidade:
−Tô armado não – foi dizendo.
Pediu “dois real”. Não tinha. Pediu um conto. Não tinha. 50 centavos, pelo menos. Não tinha mesmo, estava liso.
Mas o traste do feinho não desistia:
− Pô, me dê só cinquenta. O senhor tem, eu sei.
− Não tenho, jovem, já disse – falou seu Joca incisivo.
− Eu lembro do Senhor no dia que me deu “dois real” lá no caipirinha. O Senhor é legal.
− Sim, obrigado, mas hoje estou liso, já te falei.
− Pois me dê “25 centavo” nesse copo pra mim inteirar uma dose ali...
− O quê? Nunca! Não faço esse tipo de negócio.
− Então posso ficar com essa escova?
Seu Joca fitou o olhar no feinho homem.
− Meu amigo, por que eu te daria esta escova? E com quê eu lavo o carro, a calçada?
− Pois pronto, eu ajudo a limpar aqui tudo e o senhor me dá “dois real” pelo serviço – e já foi logo pegando a mangueira e a pazinha.
− Mas que serviço, Feinho? Não vê que já terminei? – disse seu Joca, puxando o balde mais para si.
O carinha sentou-se, calou um pouco, balançou a cabeça, assungou as calças no corpo esquelético e, olhando no pescoço de seu Joca, propõe:
− E esse cordão, vamos fazer um rolo nele?
− Este colar é bijuteria, é do meu uso e não vou fazer negócio nenhum com ele, nem com nada.
− Mas...
Outra vez seu Joca se enche do maluco:
− Vem cá, rapaz, por que tu ficas nessa vida de pedinte aborrecendo a um e a outro? Me diz?
− Sei não, sô, mas se me der essa mangueira, eu sumo daqui – mostrou o objeto estirado no asfalto.
Evitando explodir de vez, seu Joca quis resolver o dilema de modo tranquilo, afinal, Feinho era seu vizinho e estava tomado, tinha forte inhaca de pinga e, de certo modo, lhe mantinha a consideração como homem de bem e sabido. Disse-lhe então que ia ver se achava algum dinheiro para que ele o deixasse em paz. E adentrou o portão com receio, deixando apenas uma pequena fresta.
No retorno foi dizendo que não achara dinheiro, mas nem completou a fala, já foi vendo o carinha se peneirando para correr, enquanto da ponta da língua lhe saía a descarada frase:
− Pois vou levar esse balde pra mim.
E seguiu o Feinho pelo escuro da Vila a fazer do balde e da escova seu tambor de festa.
Ao seu Joca restou abortar a carreira, ver o sujeito sumir no baixo escuro e descarregar entre o ódio e a pena:
− Lalauzinho da porra! Vai-te com isso tomar ao menos um banho!
De resto ficou-lhe ainda uma inacreditável dúvida: será que aquele casal que empurrava uma bicicleta já ia levando aquele mesmo balde?


BACABAL DE OUTRORA .......... por Costa Filho*


* membro da Academia Bacabalense de Letras
A comentada Bacabal já ditava fama pelas freguesias de perto e de longe, seduzindo gente das mais diversos confins, sobretudo do Ceará, Piauí e da Paraíba. Eram famílias inteiras de retirantes, fugidas da seca, que para cá vinham atraídas pelas terras férteis e aconchegantes do Vale do Mearim. Aqui eram recebidas, iam ficando e fazendo vida.
− Vão tombém pro Bacabal do Mearim? O povo diz que lá é terra muito boa de fazer vida. – comentava um chefe de família com outro ao se toparem na lamacenta estrada da Caxuxa.
Praça do Mercado Central nos anos 70
No outro dia à tardinha, o relato de Pai Honório sobre as origens da cidade, continuaria entre a ficção e a realidade.  Ocorre que Alicinha veio correndo pela areia quente do rumo do Cais da XV de Novembro, adentrou a humilde casa de palhas na Rua da Salvação, onde morava com sua família, e foi anunciando mais uma novidade bem prosaica da época:
− Pai, chegou mais gente. Eles tão arranchados lá perto da Rua do Quebra Coco, dizia a menina toda ofegante e feliz a roer um caroço de coco babaçu.
O pai ri e abraça a filha e, retomando a tinta e o papel sobre a mesinha de pau d’arco, volta às suas reminiscências e vai conseguindo descrever o que para ele seria um raro tesouro para as novas gerações:
O Mearim, como uma gigantesca serpente mexia-se em suas águas fartas, engrossando os cardumes de branquinhas, curimatás, traíras e mandis, os quais, como que brincantes e felizes, ficavam a saltitar e a nadar pelo leito escuro e fundo do nosso perene rio.  Em maio, com o baixar das águas, os vazanteiros tomariam posse do limo deixado pela enchente para plantarem cereais e hortaliças. Enquanto isso no cais da XV, as embarcações atracavam e seguiam rota de vez em quando à capital São Luiz, a Arari ou então aceleravam seus motores a subir para Ipixuna e Pedreiras. Gente grande e miúda, porcos, galinhas, comestivas, retirantes e os próprios barqueiros lotavam as lanchas, vapores e canoas, que ficavam a apontar e a sumir por entre as bacabeiras e as árvores ribeirinhas que guarneciam o pontão da Bacabal de outrora. Toda a beira do rio se estendia inquieta, desde o pontão flutuante, subindo as águas para o sul até o “Porto do Por Enquanto”, estirão de terra onde pescadores, passageiros, arrumadores e fidalgos do comércio e da indústria local Davam ao logradouro um ar de intensa circulação de gente, que ia e vinha com empórios diversos a transportar. Na Rua do trilho desciam ziguezagueando em seus rangidos longitudinais os vagões lotados de fardos bem feitos de algodão da melhor qualidade, beneficiados que eram pela Usina Contonière, adquirida depois pela Chames Aboud, situada no Ramal, onde futuramente funcionaria a Antarctica e a Itapemirim.
O velho homem, tomando um fôlego em seu texto, foi ao pote molhar a goela e continuou em sua simpática e capciosa missão:
Os antigos e enormes galpões industriais, as fachadas comerciais e residenciais de grossas paredes e rodapés em relevo, dispersos desde a ponte de concreto de 1957 até o fim do Ramal, se ainda são, hoje, testemunhas de um ciclo econômico marcante, cogito em deixar isto escrito a que tais cenas ao serem abandonadas pela memória, ou se perderem nas pândegas, bares e conversas fiadas, fiquem gravadas nestas folhas, ainda que anônimas nesta gaveta fria...
− Acorde, pai, o homem quer falar com o senhor, disse Alicinha mostrando um senhor bem trajado.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

VALORIZAÇÃO DO ARTISTA LOCAL



Prédio da Escola de Música de Bacabal com a afachada antiga
UMA CRÔNICA A PROPÓSITO DO NOVO NOME DA ESCOLA DE MÚSICA  DE BACABAL

por Costa Filho, artista da terra.

Na sessão da câmara de 03/04/2013, às portas das comemorações dos 93 anos de Bacabal, foi aprovado por unanimidade o projeto que muda o nome da escola de música do município, de “Francisco Padilha” para “Almir Garcês Assaí”.
Em apoio ao movimento, referendado no maestro Víctor Emanuel e abraçado pela SEMUC, na pessoa do secretário José Clécio Silva, estavam integrantes da Banda Santa Cecília, artistas e populares a lotar a pequena cabine destinada ao povo.
A aprovação, anunciada, e apresentada que fora pela presidenta da Casa Regilda Santos foi comemorada com a tradicional sinfonia “parabéns a você”. Por sua vez, a imprensa, sempre junto e a serviço da notícia local, lá estava com seus holofotes a registrar o histórico momento de realização para uns e falácia de outros, em declarações que, embora de bocas diferentes, canalizavam-se a uma mesma satisfação: a justa homenagem concedida a Almir Garcês Assaí, nosso mais nobre e tradicional nome da música bacabalense.
De fato, a homenagem foi mais do que justa, valendo dizer, foi atrasadamente justa, a tirar pelos depoimentos de “realização” e “alma lavada” dos artistas musicais, e da fala dos nossos edis o “merecido reconhecimento”, sobretudo nesse período inicial de governo em que a aceitação popular se faz elemento fundamental e num momento de ânimos inflamados de nativismo e sentimento natalício acalorado pelo aniversário da cidade.
Vale lembrar que fato semelhante ocorreu com o “seu Assaí” em 2001, quando em sua fundação a Academia Bacabalense de Letras escolheu de modo também unânime o nome do nosso músico e cartorário como patrono da cadeira nº 7 em caráter vitalício, por considerá-lo uma figura das mais nobres e dignas de reconhecimento nos anais da história de nossa artística Bacabal.
Afora, porém, o mérito associado àqueles que de algum modo contribuíram para essa  louvação, este fato-homenagem não soa apenas pela sua relevância cultural, mas ecoa para reflexões mais profundas no cenário político-social bacabalense. Falo da real valorização dos nossos talentos; falo das homenagens arbitrárias ou meramente egopolíticas de órgãos ou logradouros públicos como escolas, praças, ruas, estádios, etc.; falo da postura de alguns dos nossos edis quando da aprovação de projetos na egrégia câmara municipal.
Ora, veja, é por demais conhecida entre nós a máxima de que “Bacabal é um celeiro de artistas”, mas nesse entrar e sair de governos a nossa história, sobretudo nas últimas gestões, apenas continuou sua caminhada para o esquecimento, numa negligência jamais vista.  Os “artistas da terra”, ainda que talentosos, parecem mesmo não ter ainda nenhum respaldo de público e aceitação popular diante de qualquer oferta vinda de fora. Quem já houve de escutar algum clamor público por shows ou apresentações de artistas locais? Vendo por esses dias uns comentários em blogues da cidade sobre a programação de aniversário de Bacabal, fiquei um tanto pasmo com a preferência forasteira, cara e de qualidade duvidosa requerida por muitos de nossos internautas e não lembro ter visto algum enfocando a cultura local.
É, parece que realmente, sobretudo entre nós, “santo de casa não faz milagres”, mas deveria fazê-lo, se a própria câmara, em sintonia com o executivo, começassem a olhar, propor e assistir com carinho e orgulho o talento do povo, que a eles creditou confiança, afinal, a cultura é uma demanda política que requer a implementação de políticas públicas em todo o setor.
Enquanto não se fizer pelo nosso ordeiro povo; enquanto desse mesmo povo se tiver vergonha de sua cultura, e o pior, enquanto se achar a cultura “importante” apenas nas falácias de ocasião, e, enquanto não se descer as escadarias da periferia desse povo, apoiando-o em sua aptidão e sonhos, nunca teremos público no nosso palco ou nunca riremos do texto teatral de Dalva Santos, ainda que se intitule “Pão com ovo e carne”. Também nunca haveremos de comprar os CDs de Perboire Ribeiro, Deyse Caroline, Marcos Maranhão e conhecer o estilo de Johnny Rock Blues, o “Raul Seixas” bacabalense; nunca interpretaremos o enredo de “Zuíla louca”, de Costa Filho, nem recitaremos a poesia de Casanova e as louvações de Raimundo Sérgio; nunca assistiremos a um sarau literário ou uma exposição das artes plásticas do Roberto Lago; nunca enfeitaremos a nossa casa com uma peça do artesão Urquiza ou Ejoão Martins; nunca dançaremos o compasso do Bumba-Boi Vencedor. E, para lembrar o nosso personagem em pauta, nunca cantaremos a composição de algum docente ou discente da Escola de Música Almir Garcês Assaí.
Para o nosso povo prosperar cultural e historicamente com mais brilho e evolução, necessário se faz que os poderes executivo e legislativo e irmanem, substanciando a cultura com ação e apoio permanentes, usando também o paletó cultural, o discurso da ação e a caneta do compromisso com as nossas artes, já que uma cidade em suas manifestações culturais releva a face dos que a governam.
Outro fato a que se refere esta crônica é a postura de alguns dos nossos edis, que, sendo representantes do povo, muitas vezes contraria a vontade desse mesmo povo, que nunca é consultado, nem dispõe duma “tribuna popular”. O que às vezes se pensa é que alguns ali estão apenas para aprovar leis do executivo, sem por vezes questioná-las em função da lógica da conveniência política. E foi isso que aconteceu em pleito passado quando o nome do então Secretário de Estado da Cultura Francisco Padilha foi indicado para nomear a nascente Escola de Música. Não que ele não tivesse seus méritos na instalação da escola musical, mas será que o mesmo fazia disso tanta questão? E apoiar uma cultura nos municípios não estaria no bojo de seus deveres? Pelo sim, pelo não, ele foi eleito, à revelia da consulta popular e em detrimento do questionamento em favor do músico, escrivão e cidadão bacabalense Garcês Assaí. Note-se que na então época já atuavam na Casa Legislativa alguns dos que hoje a compõem, mas na época não viram em Assaí a grande relevância cultural delegada de modo unânime na recente sessão do dia 3 de abril. E por que Assaí não fora indicado na época pelos mesmos vereadores que agora o reconheceram como “homenageado merecido”? Pura conveniência política que renega seus filhos mais tradicionais e que, ao contrário disso, deveriam ser defendidos e valorizados.
Tal reflexão alcança ainda o fato de os prédios ou logradouros públicos estarem à mercê da troca de seus nomes ou batizados por nomes que nada tem a ver com a área, mas pelo simples fato de ser um político ou parente dele. Ora, defendo, e não são poucos os que comigo concordam, que uma homenagem pública tramite pelo princípio do reconhecimento justo e comprovado e não pelo critério do marketing político e da lisonja. Assim sendo não há sentido justo ou democrático, por exemplo, nomear uma escola ou creche com o nome de alguém que não tenha deixado seu legado como professor, assim como nomear uma casa de saúde em favor de alguém que não um médico, enfermeiro ou similar, ou ainda dar nome de quem nunca foi atleta a uma arena esportiva.
Infelizmente tais práticas têm se tornado corriqueiras nas câmaras e bancadas políticas, não havendo ruas, escolas, pontes, praças, hospitais e até cidades inteiras que escapem das artimanhas egopolíticas de louvação a governadores, prefeitos, senadores, presidentes, padrinhos políticos e tantas outros títulos que terminam menosprezando os verdadeiros heróis do povo.
Esperamos que isso sirva de reflexão aos nossos representantes, posto que o povo não comunga, e de algum modo está atento a essas práticas abusivas e muitas vezes dissimuladas.
Por fim, que possamos, povo e governo, legisladores e artistas cantarmos juntos a canção do progresso histórico-cultural de nossa cidade, irmanando-se nesse processo de valorização e reconhecimento dos filhos de bacabal através dessa nova gestão que tem sinalizado seus ares de boa vontade em alavancar nossa cultura.
Resta-nos, como fez o próprio Garcês Assaí, seguir o caminho da canção, assentando no livro de nossa história a esperança de um dia ocupar o nosso devido lugar nessa terra de artistas.

domingo, 3 de março de 2013

CRÔNICA EM FOCO


Costa Filho: cronista, poeta, escritor e professor

MEU AMIGO VIRTUALISSON

Edgar Moreno*
*Pseudônimo de João Batista da COSTA FILHO,
membro da Academia Bacabalebnse de Letras, cadeira nº 2
Em frente ao Vanguard funcionou por algum tempo a sede do antigo INPS.  Hoje jaz ali um barracão da SEMUC (Secretaria Municipal de Cultura), onde artistas quase anônimos como Ejoão Martins, Urquiza e Gleydson preparam a decoração das festividades municipais. Pouca gente sabe, mas são esses generosos e criativos artífices da cultura local os responsáveis pela beleza decorativa que abrilhanta os carnavais, as festas juninas, natalinas, cívicas e até políticas dessa ingrata cidade. São eles quem atravessa madrugadas para preparar o “bolo” festivo, do qual não comprazem em saboreá-lo. A festa é do povo; eles são artistas e servidores públicos.
Prédio da Associação Comercial e antiga  agência do INPS.
Entre um e outro o antigo Beco da Bosta.
Em outros tempos ao lado desse casarão tinha o Beco da Bosta, que, odorento, se estendia até a Praça Catulo da Paixão Cearense. Isso me lembra que em criança, passei por ali com meu pai para “cortar volta”. Lembra-me também a poesia de Iraide Martins em seu trocadilho irônico “o beco da bosta, a bosta do beco”.
É por ali perto que passeia Astrogildo. Dobra a XV de Novembro, para por um instante para lembrar a (figueira?) que encimava seus frondosos galhos para a Prefeitura. E não adiantaram os protestos artísticos da época. Ela foi ao chão.
É, parece que artista não tem mesmo vez por aqui, mas então o meio ambiente também já era desrespeitado. Que o diga a casa Vila Maria que testemunhou o assassinato da nossa árvore decenária. A Vila, porém, felizmente, ainda resiste ao tempo para comprovar que também já não existe o prédio-esquina da antiga Secretaria de Finanças. Por que não construí-la em vez do aluguel?
Um grupo de estudantes passa galhofeiro. Astrogildo olha os modos de uma juventude tão diferente do seu tempo. A galera fotografa com digital de 12 MP e filma com celulares touch Wi-fi, bem diferentes da Canon de outrora. O gesto é inevitável: “’Xô ver! Mostra aqui.” Todo mundo quer ver como ficou na foto. Uns não gostam de sua pose, de sua espinha, mas outro rebate que para o foto shop toda feiura tem jeito. E a câmera corre de mão em mão. Toca um celular. “Oi, eu tô aqui perto da Biasa.” Astrogildo questiona consigo: Quem perguntou onde a mocinha estava? Cadê a Biasa, que ele não via?  Nesse mundo virtual mentir e fazer bobagem é tão comum! Sem contar o que fazem com a Língua Portuguesa: vc ñ ker q eu add tbm? kkk e tantas outras simplificações.  Melhor é deixá-los com suas mazelas e tecnologias.
Astrogildo vai-se beirando a Praça Chagas Araújo, passa pela Catulo, dobra a pracinha da Conceição e vai parar na Santa Terezinha. No contorno da Capoeira Zâmbi uma breve imagem lhe vem à cabeça. Vira-se, mas qual! Não mais consegue ver a casinha da fazenda do Coronel Lourenço da Silva. Era um dos pontos mais bem conservados de nossa a história. Um dia, simplesmente foi demolida e em seu lugar a Paróquia ergueu um sobrado.
Sem o beco, sem a árvore, a Casa de Finanças e a fazendinha de taipa, resta ao homem voltar ao seu rebento. Um toque ressoa, porém. Astrogildo retira do bolso seu moderno celular, põe os óculos e confirma baixinho: “É meu amigo Virtualisson”.  E pondo o fone de ouvido: “Oi, eu tô aqui na... na...”

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

CAFÉ LITERÁRIO COM O POETA: UMA NOVA FORMA DE REUNIR NA ACADEMIA



Poetas Morais Pessoa, Casanova, Raimundo Sérgio e Costa Filho por ocasião do "café"
CAFÉ COM POESIA - Essa é a mais nova forma de reunião entre acadêmicos da Academia de Letras de Bacabal.  
    A estreia dessa gostosa atividade se deu no sábado, 23, na casa do poeta popular Raimundo Sérgio de Oliveira.  Para a ocasião o apresentador e filho do poeta, Salomão Duarte, preparou o recinto e um gostoso lanche à receptividade dos acadêmicos, divulgando o fato na programação da TV Nova Esperança. Desta feita os acadêmicos, deixando a burocracia de lado, trataram de uma pauta informal regada à poesia, descontração e humor. Sempre aberto à alegria e às artes, o poeta anfitrião se mostrou muito satisfeito com a atitude acadêmcia: "Para mim foi um prazer receber esses poetas aqui na minha residência; é algo que preenche não só a mim, mas a todos da ABL", frisa o ancião.
     A atividade foi uma ideia posta pela presidenta Liduína Tavares, logo aceita pelos demais. "É disso que a ABL precisa, de integração entre seus membros e a prática da poesia em momentos assim", arremata Costa Filho, secretário geral. Agora é esperar o próximo "café" e a presença de mais membros.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

CRÔNICA EM FOCO

Costa Filho, da Academia Bacabalense
 de Letras,  cronista de O Mearim 

Cadê os trilhos dessa rua?
Era a primeira vez que D. Arcângela voltava a Bacabal desde que partira para onde os filhos em Brasília. Agora no assento cômodo do ônibus cogitava como havia de estar sua cidade natal. Não lhe era pequena a ânsia de rever a terra que a vira nascer, crescer, constituir família e num certo domingo de novembro a vira partir. Não queria sair do seu Mearim, mas, os filhos, não tendo cá oportunidades de trabalho rumaram a um centro mais evoluído, levando a mãe anos depois. Agora com o filho que ficara, D. Arcângela vislumbrava a paisagem andante. Pelo vidro da janela trespassava-lhe uma dolorida ausência do farto babaçual que outrora abarrotava toda a extensão da estrada de rodagem. O rio Bambu fê-la recordar o movimento dos peixeiros no mercado velho. Um gosto de cravim veio-lhe ao paladar lembrando-lhe o troca-troca de bolos e pratos caseiros na semana santa com os vizinhos da Rua do Maxixe e as histórias que ali ouvia e contava nas noites de lua cheia.
Já próximo ao antigo batalhão as nuances urbanas denunciavam que a cidade era chegada. A idosa pôs os óculos para ver melhor a entrada da cidade, enquanto uma chuva de interrogações jorrava sobre o filho. “Que muro grande é esse? E aquela rua? E essa estrada no meio do mato?” “Mãe, o muro é da universidade, a UFMA. Bacabal agora está cheio de faculdades e cursos de todo tipo. Aquela rua é uma avenida que vai dar no Ramal e a estrada é o aeroporto.” “E aqui já tem aeroporto, meu filho? Cadê o avião que não vejo?” “Desde 1990, mãe, mas só é usado pelos políticos de vez em quando e nunca foi escala de vôo.” “Meu filho, esse deve ser o posto da Polícia Rodoviária Federal. Do mesmo jeito, meu Deus... E esta casona?” “É uma fábrica de congelados inaugurada recentemente.” “Vixe, meu filho, que ruas são essas de terra?” “É o Parque Rui Barbosa. Veja, mãe, fizeram mais esse posto de gasolina e um condomínio ali à frente.” “Condomínio em Bacabal?” “Sim, mãe, com a chegada das universidades e com os concursos públicos tem muita gente de fora ou daqui mesmo que prefere morar nos condomínios ou residenciais. Não é lá essas coisas, mas tem muitos de pequeno porte.”
A chegada na Cohab 3 deixou a idosa um pouco decepcionada, pois sentiu falta de um portal de boas-vindas. Na rodoviária mãe e filho foram surpreendidos por uns mendigos vindos da praça e do Caipirão a pedir-lhes “dois real”. “Mãe, isso aí tudo é usuário de drogas. O número de moradores de rua aqui vem crescendo.” D. Arcângela ergue as vistas e reparando na estrutura do terminal de ônibus, estica o beiço e sai com o filho para o posto de táxi.
No dia seguinte, como combinado, ambos saem pelo centro. “Quanta diferença, meu filho! Quantas igrejas! Já contei bem uma dúzia até aqui. Olha são quatro bancos tudo pertinho um do outro.” “veja, mãe a ponte metálica, muito útil para os ribeirinhos da Trizidela. A praça e a Igreja matriz também estão mais bonitas.” “Meu Deus, o Armarinho Rianil ainda existe! Com as mesmas portas! Ainda restam alguns galpões de usinas. Mas, meu filho, cadê a casinha do Coronel Lourenço que ficava ali no Centro paroquial? A figueira brava em frente à prefeitura? A Casa do Fumo? Cadê a praça do Bolo? E após transporem toda a Teixeira de Freitas: Cadê, meu filho, os trilhos dessa rua? “Vamos, mãe, há muita coisa ainda que não tem mais.” E seguiram entre o presente e o passado, entre a saudade e a esperança dessa cidade já grandinha. 

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Filme bacabalense “O caminho proibido” é lançado com sucesso

      Na noite de 16/09, sexta-feira, o auditório do Cefram/CONASA foi palco de um evento inédito na cidade: o lançamento do filme “O caminho proibido” um trabalho cinematográfico de cunho amador, gravado e editado em Bacabal, com atores da cidade. Antes da sessão de estréia artistas locais mostraram ao público a dança de rua e o hip-hop, numa parceria de valorização e reconhecimento às manifestações artísticas bacabalenses. O longa-metragem é uma realização do grupo Faces da Arte, e teve a direção do jovem Rogê Francê. No elenco central Costa Filho, Laiza Hawitt e José Wilker e os figurantes Jhanete Cléa, Ramiro Feitosa, Socorro Alves, Raimundo Matos, Hillary Francê, Raylla, Francê e Rogê Francê, que também foi celularman e figura como autor-intérprete da música principal da trilha sonora.
     O detalhe curioso é o fato de o filme ter sido gravado por celular. “Cerca de 70% das cenas foram feitas por aparelho celular de 2.0 MP e algumas com uma minicâmera”, disse o diretor em sua fala inicial de estréia. “A edição de cenas e efeitos sonoros ficaram a cargo de Marcos Silva, um produtor de vídeo da cidade. Mas tivemos outros patrocinadores, que acreditaram em nosso trabalho e por isso agradecemos”, completa Rogê.

Parcial do elenco: Rogê Francê (Diretor), José Wilker,
Ramiro Feitosa, Costa Filho e Layza Hawitt



Ator Costa Filho com o banner do filme


Segundo Costa Filho, ator e Diretor do grupo Faces da Arte: “Este filme é resultado dos esforços e do talento de seus atores, que em quatro meses de trabalho levaram às telas do povo bacabalense e até de outras cidades um fato inédito e histórico da arte local, já que “O caminho proibido” pode ser considerado o primeiro filme longa-metragem bacabalense estreado e popularmente conhecido, pois o mesmo está tendo grande repercussão”. “Onde a gente chega é comum as pessoas nos reconhecerem e perguntarem pelo filme, como foi gravá-lo e quando vamos fazer outro. Até sugerem participar”, completa Layza.
O texto-roteiro mostra um caso amoroso e arriscado vivido por Kátia (Layza Hawitt) e Fernando (Costa Filho) que pode ser encontrado em meio à sociedade contemporânea, regida que está pelo medo e pela insegurança no convívio fácil com viciados em drogas. A trama envolve a um só tempo romance, ação e suspense. Para os atores uma das mensagens que as cenas do filme podem deixar é um alerta para que os jovens ou pessoas que venham a assisti-lo nunca adentrem pelo caminho proibido, que são as drogas, o roubo, a violência e toda sorte de conseqüências que isso pode acarretar, mas trilhem sempre pelo caminho do bem e da não-violência.
Este trabalho, que já foi aprovado pelo público bacabalense, parece já está dando alguns resultados previstos no projeto. Grupos de jovens já se mobilizam no sentido de também gravarem trabalhos semelhantes. “Isso é positivo, além de provar que Bacabal está cheio de artistas e jovens talentosos em busca de uma oportunidade”, diz José Wilker.
“Que as manifestações artísticas possam ser apoiadas pelos governos e pela sociedade, pois elas podem ser o antídoto da criminalidade, que a cada dia aumenta entre nós’, conclui Costa Filho.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

"Café literário" da ABL: lembranças e poesia


Costa Filho em recital de poesias no "café literário" da ABL

A Academia Bacabalense Letras promoveu dia 2 de abril seu 1º “café literário”, momento em que imortais puderam reviver os primeiros tempos de fundação daquela Casa Literária, que está fazendo 10 anos. Na programação, a exibição do documentário “ABL: fatos e relatos”, obra em construção do poeta e acadêmico Costa Filho, que também recitou juntamente com a presidenta Liduína Tavares poesias dos próprios membros numa sessão reagada a poesias e conversas informais.  Houve ainda a exposição de livros de autoria de acadêmicoas da ABl e outros autores e um literal café para os convidados.
O grupo Faces da Arte esteve presente e prometeu participar dos próximos “cafés”, que se realizarão trimestralmente.  



Laiza e Rogê do grupo Facesa da Arte
dividem a mesa c/ um convidado


terça-feira, 29 de março de 2011

CRÔNICA EM FOCO


                UM CASO (DE AMOR?)
                                                                         Edgar Moreno
Edgar abriu a caixa de e-mail. Um deles vinha do jornal e versava sobre uma leitora de Capinzal do Norte, admiradora dessas “Crônicas em foco”. Margarida aguardava ansiosa por uma crônica sobre o amor. “Amor?”– disse consigo o cronista. “Como cronicar esse sentimento tão superior e puro? Não é das poéticas mazelas de que se importa a coluna?” Todavia, quis o cronista avaliar o pedido. Cogitou com seu editor não inspirar-se em temática como o amor, tão séria e rara como um bicho lindo em extinção. Resolveu, porém, contatar sua leitora. Qual! O descuido ou o destino tinha deletado o e-mail de Dayane. Ou seria da Michaellen? Ou do próprio Jakson, que ao cronista dera a notícia defronte à gráfica? Edgar quase nunca deleta e-mails. Mas então... Finalmente mensagem enviada. Pelas várias tentativas, o resultado automático: Delivery Status Notification (Failure) – Notificação de Status de Entrega (Falha). Coisas do mundo virtual! Deixou-se, pois, estar... Quem ama espera. O próprio tempo daria razão para uma crônica de amor. E deu.
Dias depois um episódio emociona a cidade. Um extraordinário caso de amor. Valentim Assunção, 40 anos, originário do mesmo Capinzal do Norte, procurou um canal de TV local numa busca pública por sua esposa separanda, que deixara sua pequena cidade para se ocultar supostamente nos antros da Trizidela. O povo logo maldou, o povo informou, se emocionou. O repórter incrementou. E foi ao som de “Não se vá” (Tu t’en vas) da dupla Jane e Herondy (explosão musical nos anos 70), que Valetim derramou-se em sentimentos e lágrimas a toda a população telespectiva, com palavras solícitas de amor por aquela que agora silenciava para a reconciliação. Já queria ao menos a amizade da amada e com ela criar os filhos. Não importava a casa, a moto, o dinheiro... Remedinha era o que importava. Prometeu recompensar quem informasse sobre o paradeiro de sua amada. Pagou carro volante, foi junto pelas ruas, levou flores, talvez, enfim, sensibilizou os românticos e cafajestes, os machões e carametades. Queria, de coração e a qualquer custo sua ex, aquela que o tinha abandonado com os filhos, então chorosos na TV. Agora sua vida quebrara o sentido, sequer trabalhar podia. Era um mero padecente do amor e do abandono de Remedinha. Somente ela, com quem vivera anos, seria o remédio vital e necessário para curar sua dor, para preencher a saudade filhos e a depressão de um deles. Queria-lhe ainda, pois nutria ainda vivos o amor e a amizade pela consorte.
Alcançada pela notícia Remedinha aparece e conta sua versão, depois de o ex-marido abordá-la com a Polícia a caminho de outro estado. Foi barrada, vistoriada, taxada de ladra e levada à oitiva no 1º DP. Nada queria mais com Valetim. E eis a grande verdade: além de “valentim”, ele a tinha traído. E outras verdades ele não tinha dito em suas duas idas à TV. O fato é que de vítima o apaixonado homem passou a acusado. Ela, liberada, rumou livre ao seu destino nos rumos de Tocantins. De resto, ficou o homem, ficaram os filhos e toda uma família esfarelada.
Seria isso romântico aos olhos de Margarida? Talvez não fosse esse amor que ela tanto sonhou ler. Também não o seria com o cronista e os redatores. Mas como já disse Nelson Rodrigues: “Toda nudez será castigada”. E esse é o castigo que o cronista transfere aos seus leitores: narrar “a vida como ela é”.

quarta-feira, 16 de março de 2011

TEATRO BACABALENSE: ANÔNIMO, PORÉM VIVO - UM BREVE RESGATE

O final da década de 1980 foi um período fértil para a dramaturgia local. É o que podemos chamar de "tempos áureos do teatro bacabalense", quando havia uma boa safra de atores locais em atividade, que levavam ao palco do CONASA e de cidades circunvizinhas grandes produções que se confundiam com o profissional. Eram jovens adolescentes, provenientes da Igreja e das escolas, mas que sabiam o que queriam dizer através das artes. Nomes como Liduína Tavares (Francys Lídia), Massoé Carvalho, Eliene Lopes (Helly), Zezinho Casanova, Natinho Brito, João Santos, entre outros, são, por assim dizer, atores precursores da atuação teatral em nosso meio. O fato, porém, vai bem mais além, tanto em textos como em figurino e atuação social. Grandes produções provenientes de fora chegaram a se apresentar no auditório mais conhecido de Bacabal, o CONASA, como foi o caso da peça "O auto da barca do Inferno", adaptação da obra do dramaturgo português Gil Vicente, assistida por esse redator. Cabe, todavia, lembrar que o apoio do poder público municipal, da então prefeita Raimunda Loyola, foi de grande valia para esse aplaudível fato entre nós.
Daí para cá o teatro perdeu muito do seu brilho e espaço. Todavia não morreu. Hoje está um tanto anônimo e menos atuante, mas existe.

Cena sobre o autismo com Clemilson Cruz, Laiza Hawitt,
Rogê Francê e a atriz mirim Hillary

Novos atores e atrizes surgiram nos palcos anônimos desta terra. Falta-nos, todavia, um anfiteatro, ou pelo menos um espaço que dignifique nossos talentos. Esse, na verdade, é um grito que perdura há tempos, mas que não tem sido ouvido pelos governates. Talvez a arte , a cultura e o povo não represente muito frente a outras "prioridades". Todavia, é bom que se diga: a maor riqueza que de um povo pode emanar é sua cultura. É um patrimônio coletivo que deve ser valorizado, incentivado e zelado.

Em 1996 uma grande produção denominada UM CERTO GALILEU e dirigida por Dalva Santos, a Dalva do Teatro, atriz que, a duras penas, tem se dedicada ao crescimento do teatro em nossa cidade. O espetáculo foi apoiado em produção e figurino pelo poder público municipal nas pessoas da Secretária de Cultura Graça Chaves e Emanoel de Jesus. O elenco da peça reunia cerca de 45 pessoas, entre atores, produtores, figurantes e contrarregras.
Justo é lembrar e reconhecer o belíssimo trabalho de produção de cenário e figurino liderado pelo artista plásitico Ejoão Martins (Johnny Rock Blus), auxiliado pelo artesão Urquiza, o folcloista e percussionista Gleydson, que compunham a Secretaria de Cultura, e a costureira (não me recordo o nome) e outras tantas pessoas que sae engajaram direta ou indiretamente.
Na visão deste redator terá sido a peça teatral mais cara e melhor produzida nos últimos dez anos, graças, a verbas destinadas pelo Ministério da Cultura para esse fim.
 
Dalva Santos com atores locais
em oficina de máscaras na ACZ, fev/2011
Hoje Bacabal conta com alguns grupos ligados às igrejas, a exemplo da Igreja Batista da Paz, que cultiva um teatro tipicamente litúrgico-religioso com veia social destinada aos jovens, e de modo amador e mais independente a Cia Curupira de Artes Cênicas, liderada por Zezinho Casanova e o GITAR, liderado por Dalva Santos, Este último, atualmente não está em atividade, mas sua diretora, que está cursando faculdade de Teatro, está ministrando oficina teatral pela Associação de Capoeira Zâmbi, que se tornou recentemente um PONTO DE CULTURA do Ministério da Cultura.
  
Peça bacabalense no teatro Alcione Nazaré, S. Luís, maio/2010

Está em cartaz desde 2009, e disponível a contratos de apresentações às escolas, universidades e entidades sociais em geral, a peça VIVER É ADAPTAR-SE, uma comédia educativa sobre o trato com as pessoas com deficiência, texto de Zezinho Casanova e sua esposa Lúcia Correia. Outro texto do mesmo autor já está sendo ensaiado, mas ainda não há data para estreia.
Para saber mais sobre o teatro bacabalense clique aqui AQUI > http://arteatrodalva.blogspot.com

ELENCO TEATRAL

ELENCO TEATRAL
Homenagem ao amigo Malaka no DF

Amigos da ASDEBAL (Ao amigo Malaka no DF)

Amigos da ASDEBAL (Ao amigo Malaka no DF)

Uma cena que ensina em "Viver é adaptar-se" peça de Casanova e Lúcia Correia

Uma cena que ensina em "Viver é  adaptar-se" peça de Casanova e Lúcia Correia